terça-feira, 4 de setembro de 2007

Eu e as viagens... enfim. Como gosto tanto de as fazer, mas nem sempre (quase nunca) faço todas as que quero, lá vou tendo uns amigos que vão e me enviam fotos e me contam histórias. O Meireles foi para o Brasil - Amazónia. O João foi para a Rússia - Sibéria. Fica o registo de imagens tiradas e escolhidas por cada um deles. Obrigada pelo previlégio. :)


O peso que paira sobre a silhueta num sopro de terra . Um traço delicado sem a sombra da mão humana. As nuvens sobrevoam o Baikal Lake, também conhecido por Olho Azul da Sibéria: apenas e só o lago mais fundo do mundo, património Mundial da UNESCO.






Um salto para o escuro, num escuro que é rio: água fertilizante de sorrisos e sabedorias. Eles saltam também pela inocência que os banha. Não procuram; encontram sem vasculhar, libertam-se ao largo de Manaus e abraçam o desconhecido na troca de uma civilização quase virgem. O rio Amazonas é assim mesmo: grande, fundo e escuro. Lindo.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007


Quantic. Álbum de 2004 - "Mishaps Happening"

Pois. Por sugestão da RUM ouvi. Gostei. Imenso. Mr. Holand no seu melhor a solo. Ouvi, sim senhor. Eram quase 9h00, no carro. Não consegui sair enquanto não acabou. E fiquei eléctrica, cheia de energia - daquela boa e que dá vontade de ir por aí e rir e falar e conviver, que é como quem diz ir pó cunbíbio.

Para quem gosta de funk aconselho Don't Joke with a Hungry Man

Clarinha e Inês (a mana) oiçam: vão curtir. Fico ansiosa por vos ouvir cantar esta. Aos pulos. Aos berros!!! :)

Viagens para as viagens

Tenho um amigo, escritor, que diz não gostar de viajar. Não gosta, ponto. Pelo menos, no sentido concreto do termo.
Uma vez tentei saber porquê. Perguntei-lhe como é que ele não se interessa por tantas outras formas de estar, de viver, de sentir, outros locais e belezas e/ou amarguras. «E quem disse que não?», foi a resposta complementada com, «Conheço tudo isso nas histórias que escrevo e que leio, no meu canto, em Guimarães».A discussão teve ainda alguns trâmites, mas a essência é esta: ele não gosta de viajar fisicamente – e não quer dizer que o não faça por circunstâncias alheias à vontade dele – porque prefere outro tipo de viagens que têm a ver com as palavras e os devaneios de uma alma de escritor. Pessoalmente, junto a isto mais um factor: desconfio que a necessidade que tem de escrever é tão grande que teme perder tempo nesse tipo de viagens que não as da imaginação.

Por outro lado, tenho um amigo, arquitecto, que passa a vida a viajar. É dinamarquês. Conhecemo-nos há 18 anos num intercâmbio cultural e, portanto, já nessa altura viajava. Viu o mundo inteiro: todos os continentes; diversos países dos diferentes continentes. Uma das viagens mais curiosas foi de bicicleta. Juntou-se a dois amigos, voaram até à América central e, durante três meses, percorreram uma série de cidades. Achei, no mínimo, apaixonante.
As conversas que temos tido ao longo de todos estes anos acabam, inevitavelmente, em viagens: eu a dizer, «Quem me dera poder viajar como tu», ele a retorquir, «Exageras nessa vontade; viajar não te acrescenta muito mais», ao que eu lhe digo, «Dizes isso porque o fazes constantemente e quando queres». E a discussão continua. O certo é que há pouco tempo disse-me algo que me calou e em que penso muitas vezes: «Não precisas de viajar para seres uma grande escritora. Tens no teu país um dos maiores escritores do mundo que nunca saiu do seu canto: Fernando Pessoa». Um dinamarquês falou-me em Pessoa, que adora ler.


Efectivamente, não me é difícil de perceber que projectamos, muitas vezes, aquilo que mais queremos ser para o desconhecido. Como se o fôssemos fazer, mas ainda estivesse longe, adormecido. Conseguimos ver, mas é ainda intocável. Aquilo que o meu amigo de Portugal me diz nas entrelinhas é que as coisas estão ao nosso alcance e uma vez palpáveis não são de desperdiçar; são para trabalhar. Aquilo que o meu amigo dinamarquês me quer transmitir é que uma vez alcançado o sonho verifica-se que não é assim tão subliminar como aparenta ser.O certo é que tenho mesmo esse desejo de viajar constantemente. E não me refiro a viagens paradisíacas. Gosto de contactar com o dia-a-dia das pessoas, com as culturas, hábitos e costumes.


O sonho de ser escritora não advém de projecções. Sinto que já o sou, não só pela necessidade que me acompanha, como pelo prazer que me arrebata. As palavras mexem com tudo o mais íntimo de mim. São terapia. São o que de mais Eu tenho. São viagens, são, as histórias que construo no meu canto.É possível que se já conhecesse o mundo inteiro, provavelmente iria dizer que não é assim tão fabuloso quanto penso. Mas sei, sem margem de dúvida, o que é que vou fazer ao papel que preenchi como voluntária internacional da AMI.

in Empreender

terça-feira, 31 de julho de 2007

Noite de Poesia
Um conceito. O conceito num rectângulo;
O Retângulo, Café.

Espreito de fora: rebuliço no interior de cada intimidade, nas pessoas que aceitaram o convite e foram ao Retângulo. É a Noite de Poesia.
Espreito; espreito muito para ver melhor. Um aglomerado que se vislumbra – sentados, de pé, nas esquinas e sofás, no degrau e em bancos altos - outros mais baixos -, nas mesas, por todo o lado: ânimos que se levantam, vozes que se erguem, e depois? Depois a melodia para embalar o corpo habitado pelo preenchimento do ser. Guitarra acústica, batuque e talento: combinação perfeita. Não oiço nada; estou de fora. Estou ainda cá fora envolvida num sossego que fala: como se o vazio morasse nas casas e só lá dentro estivesse o fluxo de energia quântica.
Estacionei o carro e continuo inerte do outro lado da rua do Retângulo; na distância de quem tem medo da exacerbação que junta as palavras.
Detenho-me mais uns segundos: vou? Ousarei fazer parte das frases musicais que percorrem os olhares no interior daquele espaço?
Entro. Não sou propriamente uma desconhecida, mas serei sempre estranha no mundo das letras. Porque quero sempre mais. Porque não há entendimento que alcance os arrepios da alma. Entro e percorro as gentes. Entro e sorrio. Entro e fico e sinto que este é o dia e percebo que ali é o lugar e absorvo os espaços em branco no caminho para a redenção.
Por mim, e pelos ouvidos dos amantes da arte, passaram nomes tão distintos como Alexandre O’Neill, Carlos Drummond de Andrade, Ary dos Santos, Herberto Hélder, Maria do Rosário Pereira, entre tantos outros.
Indispensáveis foram os cigarros numa tentativa de amainar a angústia por não haver mais declamação; indissociáveis foram as recordações como forma de criar pontes para a contemplação da essência humana. E soube bem o doce de ananás. Um doce conforta sempre os mais fracos. E eu sou fraca, sou. Por isso não contive as lágrimas ao sentir que aquela era também a minha casa, o lar de todos nós. A envolvência em todos nós.
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Retangulo Café
R. Escultor Antonio Fernandes de Sá, 238
GERVIDE
OLIVEIRA DO DOURO

Contactos
936645266
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retangulo@retangulo.com

www.retangulo.com (em construção)

www.retangulocafe.blogspot.com (em destruição)

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Estive na Casa das Artes, em Famalicão, com ele e fiquei abismada. Uma pessoa simples: bem humorado e ainda incrédulo com o que a divulgação e solicitação no YouTube lhe causou. Transformou-lhe o dia-a-dia, levou-lhe o tempo - devolveu o sorriso que transpira na sublevação dos poros. Talento indiscutível; inigualável. Sensibilidade. Lindo. Merece tudo de nós, pobres: "...Roubei a um rico para a oferecer a todos nós pobres que mendigamos por um momento de autenticidade.”

http://www.youtube.com/watch?v=Ddn4MGaS3N4

http://www.youtube.com/watch?v=dt1fB62cGbo&mode=related&search=

sábado, 16 de junho de 2007

Um livro a ler. Um escritor a conhecer.

Pedro Chagas Freitas

«Os Dias Na Noite»

Inesperado.
Poucas serão as histórias que marcam; poucas serão as que nos acompanham. Esta é indelével: riqueza de carácter: nervo que nos atinge e dilacera.
A leitura oferece-nos a presença: somos observadores em terreno - como se estivéssemos no bar, como se víssemos os corpos nus e os seios rijos e o desejo e o sangue. Como se fôssemos a faca – objecto.
Há também nojo, repugnância: queremos ser o Torgado na postura indiferente que quer sempre fazer passar; queremos ser a língua de Filipa, estar na perspicácia, na frieza, no derrube; sermos nós em algumas palavras: renascer.
E depois, na viagem, o complemento da ausência numa bifurcação que completa e remata. Não que esse vazio seja sinónimo de crueza ou subversão; antes pelo contrário: é força; é o que traça a personalidade de uma obra inacabada porque gostaríamos que houvesse mais.
Acima de tudo, «Os Dias Na Noite», é imagem; construção sucessiva de cheiros e sabores onde, a pretexto de sexo, se vislumbra muito mais que simples orgasmos físicos – os chamados intelectuais: os melhores.
Inesperado, sim; sempre. Num fim que ataca: arrebata: consome.
Fica no ar a inquietude em forma de sorriso e recosto: livro aberto a fluir continuamente nas nossas vidas.

Oque'strada - recomenda-se.

http://www.myspace.com/oquestrada

O que é que faz uma guitarra portuguesa, uma viola acústica, uma contrabacia, um acórdeão e uma flor, todos juntos?
BOA MÚSICA PORTUGUESA!
Num só trago bebes uma amálgama cultural de raças, estilos, sons e musicalidades; Sempre com um sentido de humor bem apurado: inegável.
Mas não penses que para isso basta uma fórmula qualquer que conjugue as diferenças; não! A qualidade de qualquer um dos músicos leva-nos ao rubro das emoções - são fantasticamente conhecedores do mais pequeno acorde ou pormenor técnico. O jogo das combinações prima pelo imprevisto, pelas gargalhadas espontâneas que vão saindo; acima de tudo, pela evidente cumplicidade de quem esteve na estrada e nas ruas, durante cerca de dois anos.

Miranda, a Adorável e a sua Voz
Ela ilumina - e às vezes é mesmo assim, literalmente - as performances sonoras e incorpora as notas, nas notas.
Não há distância entre um palco qualitativamente recheado e o público sempre ávido de mais, mais, mais. A Marta faz questão de se misturar - aqui e ali - nos olhares das pessoas: encara-os, sorri-lhes, toca-nos ao ouvido. Ritmo no corpo suave e sincopado; contagiante.


Zeto, o Homem do Pescoço de Aço e a sua guitarra ritmica
Que dizer do líder cigano, do nigá amante, do executante exímio dos acordes, ritmos e actor? Tudo isto. Transforma-se em palco não se adivinhando nada do que sai do aparente low profile. A verdadeira caixa de surpresas ambulante: sim, porque também ele pouca parança tem em palco. A parceria que vai delineando em palco com a Marta resulta numa dança de sentidos; é gradual; é deliciosa; simples e complementar.

Lima, o Arquitecto e a sua guitarra portuguesa
Camisa vermelha. Homem magro. Nariz pessoano. Nos dedos a perfeição; no peito o talento de quem, à voz de muitas caretas e minutas de improvisação, consegue extrair do típico instrumento português ciclos quânticos de universalidade. Sentado apimenta cada um dos temas também com sons que primam pela diversidade: reinventa-se; reinventa-os.

Pablo, o Constructor e a sua contrabacia
Este elemento é, sem dúvida, o navegador português. Ao jeito do desenrasque - porque parece que se esqueceu do contrabaixo e com uma bacia, corda e um pau, «desen-merdou» qualquer coisa - lá se vai empoleirando e anunciando, qual marinheiro no seu imponente mastro. Extrai as notas como ninguém. Perguntamo-nos: como é possível?

Donatello, o Bom Vivant e o seu acórdeão
É ele quem mais enche a ambiência; é ele quem menos vemos. Mas é indubitável o seu poder e força. Em jeito de estrutura organizacional, atrever-me-ia e metaforiza-lo identificando com o estrato plebe: mantem o seu estatuto de conformidade, mas nas alturas certas revoluciona, faz barulho (no bom sentido, é claro) e instaura o caos dos sons.

Reformulo a ideia inicial: os O'queStrada não fazem só Boa Música Portuguesa; vão mais longe. Fazem música para todos: raças, etnias, culturas e gostos. São únicos e, no mínimo, diferentes.
O País agradece.